Problemas por baixo da burca?
Problemas por baixo da burca?
Até onde deixamos ir a liberdade (religiosa, individual)?
Não há poder mais hipócrita que o que legisla em nome da liberdade de outros sem os querer compreender. Não há lei mais hipócrita do que a que procura a proibição do próprio corpo dizendo ser para o defender de outros.
Mas que problemas queremos resolver?
O problema do respeito
“Tem que respeitar os costumes locais”. Desrespeitaremos então as escolha de tapar a cara, porque não é uma escolha que “por cá se faria”. Em primeiro lugar um simples ataque à liberdade individual (isso já foi dito). Em segundo, uma hipocrisia, pois nós por cá tapamos a mulher por várias razões: porque vai casar, porque morreu o marido, porque é religiosa. Todas estas nós respeitamos.
O problema da proteção.
“Não é o tapar a cara, é o sistema de opressão [sub entendido está o patriarcado] que oprime e força a tais práticas “. Pois mais uma desculpa esfarrapada não? Se o que queremos é defender a mulher então deveríamos começar defender “os nossos” casos de violência doméstica. Pois estatisticamente são mulheres que não tapam a cara que, em Portugal, a escondem com vergonha dos abusos que sofrem.
O problema não é obrigar a pôr ou tirar… O problema é o autoritarismo, é obrigar. A restrição das liberdades individuais em matérias que apenas dizem respeito ao próprio. Em particular quando os motivos… desculpas… vão desde a falta de respeito à proteção de quem escolhe.
Não nos deixemos enganar, pois cada passo dado perfaz o caminho que seguimos. E se cedemos para “os outros” consentimos para “nós”. E deixando que estas restrições progridam acabamos em fardas oficiais do regime, de joelhos, de boca calada a rezar em silêncio… por clemência… oprimidos pelo sistema que legislou em nossa defesa.
Notas de autor
- ” Nós “ e eles “os outros” são reais apenas e só tanto quanto essa linha seja artificialmente traçada.
- No entanto, uma vez traçada é a raiz de da violência e hipocrisia que leva às razões descritas no texto acima








